Fatos da vida I - 'Facepalm'

Hoje eu tô aqui pra falar sobre fatos da vida.
Não são fatos que acontecem especificamente com uma pessoa só, mas sim com todas. Inclusive eu.
Tô aqui pra falar não só de fatos, mas de erros também. De coisas que poderiam ser diferentes.
Mais uma vez, erros não só de um certo alguém, mas de vários alguéns, até eu mesma.
Quantas vezes eu não fiz cagada? Todos os meus amigos sabem que eu vivo fazendo um monte de besteira.
Praticamente todos já foram alvos da minha grosseria ou alguma outra falta. E eu também já fui alvo de várias bobagens também.
Todo mundo já foi.
Pra começar a gente tem que ter em mente que a vida é feita de fases. Claro que elas variam conforme o ritmo de vida que você leva, mas basicamente é a mesma coisa desde que sua tataravó se enfiou num navío vindo da Itália ou um tatatatatatataravô que encarou uma caravela portuguesa pra colar com nóis. Todo mundo tem seus 'pobremias', e passa uma parte da vida tentando chamar a atenção das outras pessoas pra isso, como uma forma de pedir por ajuda. Quem não me conhece não sabe, pode conferir no arquivo do blog, mas eu passei anos berrando até pra surdo que eu era hipocondríaca, ia no psiquiatra, tomava remédio, tinha tentado pular da sacada e etc. E negava que tava tentando chamar atenção. Negava tudo o que tava acontecendo. Quando alguém me dizia que já tinha passado por aquilo e que ia mudar, ficava putinha da vida. Que nem brasileiro quando é zoado no exterior. A gente sempre fica puto quando alguém fala que aquilo é fase, todo mundo já passou por aquilo e não é diferente com você, como se estívessemos defendendo o problema, querendo ficar cada vez mais doentes (pra chamar mais e mais atenção). Um dia, BAM!, acordei e mudou. Não queria mais falar dos meus problemas. Não me orgulhava de ser doente. E isso não aconteceu depois de ter visitado um hospital de crianças com câncer (até porque francamente, isso é só uma prova de que o mundo é realmente muito miserável), aconteceu porque tinha que acontecer. Porque a fase tinha acabado. Porque de alguma forma eu tinha conseguido me ajudar, pelo menos em partes e tava pronta pra mudar a abordagem que eu tinha feito até ali com relação a minha depressão/ansiedade/paranóias em geral. Se o psiquiatra, os remédios e os berros não tinham ajudado até ali, então era sinal de que eu tinha que trocar o time que tava perdendo pelos reservas. Daí eu comecei a dar razão pra quem dizia que ia passar.
Eu me tornei uma pessoa mais paciente. O sofrimento me ensinou muita coisa. Me ensinou a ser mais tolerante com as diferenças, mais compreensiva com as pessoas, a admitir e perdir perdão pelas besteiras que eu fazia. Aprendi a não sair por aí contanto meus martírios pra qualquer unknown que aparecesse. Calei a boca. Mas daí eu comecei a odiar as pessoas que ainda estavam naquela fase. Elas apareciam, faziam o mesmo drama que eu no passado e me deixavam fora do sério. Demorei muito mas finalmente entendi que as pessoas não vão mudar só porque você quer que elas mudem. Ninguém vai fazer o que você quer que elas façam se elas não quiserem. Não adianta você berrar pra pessoa que ela tá sendo babaca, que isso vai passar ou até ser irônico pra ver se um choque de realidade traz o bendito pra sua realidade. Cada um tem seu tempo pra passar pelas fases da vida que são experiências essenciais pra lidar com o que ainda vai chegar. Óbvio que irrita quando você diz que não tá legal e a pessoa despenca a falar de suas próprias angústias como se estivesse tentando ensinar uma lição que você já aprendeu, mas abstraia. Um dia, se com isso ela aprender alguma coisa útil de verdade, ela vai sacar tudo. As coisas vão começar a fazer sentido.
O grande fato da vida que eu tô querendo mostrar aqui é, seja paciente. Cada um tem uma visão diferente das mesmas situações, cada um tá numa fase diferente e mesmo que você já esteja num 'plano astral superior', um dia o jegue vai estar no mesmo plano. Ele vai deixar as orelhas de burro pra trás e trocar por outras. A gente sempre troca uma fase por outra. 'Troubles will come and they will pass'. E nem venha me dizer que falar é fácil porque eu tô na mesma, tá geral no mesmo barco. Se ser paciente não tá adiantando, se afaste da conversa desconfortável, aconselhe a pessoa a procurar ajuda profissional. Ninguém aqui é mãe/pai de ninguém, a gente não tem que ter todas as respostas. Faz um 'facepalm' e vai curtir um som. Aliás, se a pessoa te irritar até você começar a planejar maneiras de assassiná-la, vai ouvir 'Apesar de Você' do Chico Buarque. Pelo menos pra mim é tiro e queda. Monte uma playlist pra gente em fase que você já passou. HAHAH


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Bom, hoje é só um fato da vida. Mas eu volto.
Bëgos~

Uma carta do monte;

Querida Clara,

Espero que esteja bem.
Estamos vivendo tempos difíceis na nova cidade. Sua mãe ontem desmaiou, sofrendo de algum mal desconhecido. Passamos algumas horas no hospital e ela recebeu alta de madrugada. Trouxe-a pra casa com a ajuda dos novos vizinhos, já que tive que vender o carro. O apartamento novo é pequeno e quente, o ar é abafado durante a tarde, mas respirável. A noite dá pra ver a rua calada pela sacada. A mulher que mora em frente deve ter passado por problemas recentemente porque esse silêncio a faz chorar. Ela fica lá pendurada no portão boa parte da noite, olhando pro chão, chorando. Ouvi os vizinhos dizerem que foi o filho, envolvido com drogas. Não sei se morreu ou não. Tanto faz.
Antes de ontem sua mãe trouxe um cachorro pra dentro de casa. Um bichinho mirrado, pelado, cheirando terra e pinho. Ela lavou o coitadinho, reservou um cantinho com uma coberta enrolada pra ele na sala. Durante a programação musical da manhã, ele late bastante, acho que gosta de ver TV. Ah é, conseguimos uma TV. É antiga, mas sua mãe não vive sem televisão, você sabe disso. O que a distrai tem sido isso, o cachorro e a vizinha. Ela não tem dormido direito, murmura quando consegue cair no sono coisas que eu não consigo entender, mas imagino o que sejam.
Arrumei um emprego aqui perto, processando alimentos. Trabalham com milho, ervilhas, essas coisas. Grãos, sabe? Alguns meninos mais novos trabalham na minha área, riem o dia todo, me lembram você até. Semana passada chegaram a largar o serviço pra correr atrás de um gato feio que entrou pela janela. Devem ter apedrejado, era filhote, acabando com o mal no começo, ele não se alastra, não é mesmo? Apesar de que sei como você gosta de bichos, mas a vida é dura e a gente percebe isso nos detalhes. A gente tem que perceber.
Me perdoe, Clara. Quero reforçar isso em todas as cartas, por mais que você não as responda. Não sei nem se as lê, mas preciso deixar isso claro. Todos os dias oro pra que Deus te ajude a me perdoar, por mais que isso pareça impossível. Cansei de falar que não te deixamos pra trás porque não te amávamos, mas justamente por isso. Com o tempo, a gente ia começar a tratar sua doença como fardo. Um fardo pesado que não dava pra carregar. A gente chora quando vê criança doente como você por aí, sua mãe quase piorou quando foi no hospital, passou na frente do quarto de uma menina ruiva, igualzinha a você. Fiquei esfregando a mão no rosto pra lembrar como era contar suas sardas todo dia de manhã. Era triste, menina. Era um carinho triste.
Se um dia você nos perdoar, manda uma carta pra cá, nos conte uma notícia boa. O que nos mata é a espera, criança. Posso viver sem uma cama decente, sem o conforto que a gente tinha na antiga casa, mas não com essa dor, esse medo do desconhecido.

Te quero bem, beijo do pai.

Mais um MeMe pra coleção.


E pra variar não lembro de onde tirei e nem quais eram as regras. Portanto, responda quem quiser.

Onde está seu celular? - No quarto da minha mãe.
E o amado? - O Batista? *pegadinha do Malandro*
Cor do cabelo? - Virgem ou pintado?
Sua mãe? - Tenta me proteger do jeito dela, com as verdades dela.
Seu pai? - Meu herói.
Minhas irmãs? - Sou filha única.
Seu filho? - Não pretendo ter.
O que mais gosta de fazer? - Trocar idéia.
O que você sonhou na noite passada? - Não me lembro, mas sei que era algo agradável.
Onde você está? - No quarto.
Onde você gostaria de estar agora? - Segredo.
Onde você gostaria de estar daqui a seis anos? - Europa.
Onde você estava há seis anos? - Aqui mesmo.
Onde você estava na noite passada? - No carro, voltando de Campinas.
O que você não é? - Preconceituosa, ignorante.
O que você é? - Introvertida.
Objeto do desejo? - Uma vida nova.
O que vai comprar hoje? - Nada.
Qual sua última compra? - Uma blusinha, duas calcinhas, um sutiã e um muffin.
A última coisa que você fez? - Tentei trocar o layout do blog.
O que você está usando? - Um shorts de um uniforme antigo e parte de cima de um babydoll.
Na TV? - CQC!
Seu cachorro? - Um cocker inglês, na casa do meu pai.
Seu computador? - Presença irritante, ausência insuportável.
Seu humor? - Instável.
Com saudades de Alguém? - Muito!
Seu carro? - Ainda não tenho, mas não escondo meu amor por Opalas e Mavericks.
Perfume que está usando? - Lua, de natura.
Última coisa que comeu? - Big Mac.
Fome de quê? - De coragem pra fazer as coisas.
Preguiça de? - Tudo, sou 'procrastinadora' profissional.
Próxima coisa que pretende comprar? - Nada, se eu gastar mais, meu pai me mata.
Seu verão? - Não gosto de verão.
Ama alguém? - Todos os meus amigos, sou incapaz de ir além disso.
Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? - Ontem.
Quando chorou pela última vez? - Alguns minutos atrás.

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